Corona ameaça povos indígenas, por PPM

No dia 03 de junho de 2020, a Pão Para o Mundo publicou em seu site o texto: Corona ameaça povos indígenas. Para Cibele Kuss, secretária executiva da Fundação Luterana de Diaconia – FLD, é uma ação relevante para ampliar a consciência sobre o cenário político no Brasil, por meio de informações de organizações da sociedade civil que há décadas atuam na afirmação e garantia de direitos, com apresentação de notícias e informações seguras e amparadas no trabalho de base, de presença nos territórios mais afetados por violações agudizadas, em cenário de pandemia.

“Amplia consciência, solidariedade e reduz a circulação de notícias equivocadas e que reduzem o grave cenário comprovado”. 

 
Segundo Cibele Kuss, “A importância da cooperação internacional neste momento que o Brasil passa por essa crise de saúde e política é fundamental para influenciar seus governos a reverem os acordos de cooperação com o Brasil nesse momento que muitos recursos de governos estão sendo usados em apoio à necropolítica do governo, através da liberação permanente de agrotóxicos, invasão e grilagem de territórios indígenas, quilombolas e povos e comunidades tradicionais, liberação para projetos de mineração, avanço do desmatamento. A força da cooperação internacional é fundamental para dar visibilidade ao autoritarismo, crise humanitária e ambiental promovidas pelo Governo Bolsonaro”. 
 

Leia o texto publicado pela PPM:

Berlim. – Pão Para o Mundo e seus parceiros locais temem que a pandemia do Corona-Vírus venha a ter consequências desastrosas para os povos indígenas na região da Amazônia. As comunidades indígenas vivem em lugares remotos, onde não existe infraestrutura médica suficiente, e, além disso, o sistema imunológico  é mais vulnerável com relação a doenças vindas de fora. Os hospitais de Manaus, capital do Estado do Amazonas, de modo geral estão muito distantes sobrecarregados com pacientes em tratamento intensivo, e com falta de leitos nas UTIs.

“A pandemia do Corona-Vírus ameaça a existência dos povos indígenas. Desde que o presidente Bolsonaro tem reprimido sistematicamente o engajamento da sociedade civil, os direitos dos indígenas, assegurados pela constituição, estão cada vez menos sendo observados. O governo desconsidera, de forma persistente, as causas de luta, como a proteção ao clima, a fim de explorar ao máximo a Amazônia, economicamente”, declarou Cornélia Füllkrug-Weitzel, presidente de Pão Para o Mundo.

“No Brasil de hoje fica evidente quão perigosa se torna, para os grupos mais vulneráveis da população e para interesses globais comuns como a proteção do clima, uma política orientada exclusivamente pelos interesses econômicos.”

Não apenas a vida dos povos indígenas como também o seu território, a Amazônia, estão gravemente ameaçados. Basta ver que, à sombra da pandemia, o desmatamento da floresta tropical atingiu o índice mais elevado nos últimos onze anos. Povos indígenas vinham agindo como “fiscais” denunciando desmatamentos ilegais às autoridades. Uma vez que, por receio de infecções, tiveram que declarar isolamento, o monitoramento e defesa dos territórios fica afetado.  Ademais também o órgão nacional de proteção ao meio ambiente fez recuos evidentes em termos de proteção à floresta tropical.

“Desde que o presidente Bolsonaro assumiu o governo, muitas coisas se desenvolveram para pior – como sejam, os direitos dos indígenas, a proteção ao meio ambiente e a liberdade da sociedade civil. Agora, Bolsonaro e os seus ministros entreveem na pandemia uma oportunidade para acelerar a criação de fatos consumados”, conforme Füllkrug-Weitzel.

“Com isso os esforços no campo do desenvolvimento sustentável do Brasil são atrasados por décadas.”

Desde há muitos anos Pão Para o Mundo, juntamente com diversas organizações parceiras locais, apoia a luta dos povos indígenas, a defesa de seus direitos e a proteção da floresta tropical amazônica. Disse Cibele Kuss, diretora da Fundação Luterana de Diaconia-FLD [citar conforme o original em português]: “A pandemia avança cada vez mais no norte do Brasil.  Com isso, por um lado se agrava o risco de infecção para povos indígenas e povos e comunidades tradicionais, por outro lado ameaçam surgir novos conflitos de terra. ”Há o agravante provocado pela força do fundamentalismo religioso epidemiológico, uma vez que  “O governo está aliado com a extrema direita cristã, que por meio de um negacionismo intencional se opõe à ciência e por isso subestima a periculosidade e a taxa letal em conexão com o covid-19”, diz Cibele.

O Brasil é hoje um dos epicentros da pandemia do corona-vírus. De momento já mais de 510 mil pessoas se infectaram com o vírus e já mais de 29 mil morreram de covid-19. Especialistas julgam serem bem mais elevadas as taxas reais.

Além disso, são preocupantes as consequências sociais da pandemia, conforme Pão Para o Mundo. Subiu em grande escala a pobreza no Brasil, de modo que atualmente 25% da população brasileira vive abaixo da linha de pobreza (52 milhões de pessoas). O presidente Bolsonaro, desde o início da pandemia, com recorrência e de forma flagrante, minimizou os perigos do vírus e suas consequências. Repetidamente se manifestou no sentido de não querer frear a economia brasileira [com medidas de] desaceleração na dissipação do vírus.

Fonte: www.brot-fuer-die-welt.de